segunda-feira, 30 de junho de 2014

Easy to love ou Minha vida na dança.

Comecei minha carreira de bailarino um pouco diferente, entre os 12 e os 14 eu dançava tango. Além dos professores montarem uma coreografia pra mim, eu frequentava uma turma com pessoas bem mais velhas e aprendi a dar duro, levar a sério, ser responsável no meu trabalho desde muito cedo. Lembro-me que aos 16, em um exercício do meu grupo de teatro falávamos pontos positivos e negativos de cada um e o meu jeito sério e dedicado demais estava no negativo, e na época não entendi bem o motivo, tentaram me explicar que eu era concentrado até demais.

Até hoje me perguntam se sou mais bailarino ou ator e eu sempre respondo que sempre fui ator, que busquei na dança uma ferramente a mais. Hoje entendi mais profundamente isso.

Sempre fui muito dedicado ao teatro, e com uma postura profissional - mesmo aos 12 anos quando comecei. Na dança aprendi cedo a localizar meus pontos fracos e questões importantes como flexibilidade, estrutura física, idade que comecei técnicas como o balé, por exemplo. E isso fez com que eu não fosse TÃO sério assim. Aprendi a trabalhar meus limites e mais que isso, aprendi a curtir o que estava fazendo. Se eu parar para analisar mantenho mais amigos da dança do que do teatro, me diverti muito, realizei sonhos como viajar e ter uma turma de amigos. Não esperava dançar no Rio de Janeiro e quando apareceu a primeira oportunidade isso fez toda a diferença nos 6 anos em que estive por lá.

Outra diferença é quando falam que teatro é terapia, discordo disso. No teatro focamos em outras vidas e isso nos leva para vários aprendizados e claro que reflexões, mas o foco, muitas vezes, é no resultado, na história que vamos contar. Na dança sinto mais esse lance de terapia, ao menos pra mim. É claro que contamos uma história e isso é importante, mas tem um lance da parte física, de conhecer seu corpo, seus limites físicos e emocionais. Ou às vezes simplesmente não pensar em nada, usar o sentimento do momento.

Tudo isso para dizer que hoje, ao acompanhar um seriado juvenil australiano de dança, eu senti mais a minha perda quando decidi parar. Senti profundamente por me reconhecer em personagens nesta história. Hoje eu sei que tudo que dancei foi, acima de tudo, com o coração.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Nem tudo está perdido!

Normalmente em palestras do meu livro para adolescentes eu gosto de contar de onde vem a minha ligação com a leitura e a escrita e como ela foi importante em momentos decisivos da minha vida.

Estudei todo o ensino fundamental no SESI e entre a primeira e a quarta série as aulas eram no período da tarde. Saíamos sempre 17h e meus amigos logo iam embora para suas casas. Por uma questão de segurança passei a aguardar meu pai na biblioteca da escola e o que acontecia era que quase todos os dias meu pai chegava apenas às 18h (até hoje uma das músicas que mais me faz lembrar dele é "Ave Maria" justamente por esses momentos de retornar para casa após as aulas). Nessa uma hora comecei a experimentar e a cultivar o hábito da leitura. Todos os dias eu mantinha esse ritual. Passou de obrigação escolar para um prazer enorme, quando não terminava na biblioteca levava o livro para casa e assim foi durante anos. Em algumas fases ele ficava mais presente, outras mais ausente por falta de tempo mesmo, mas sempre ali, fazendo parte da minha construção como cidadão.

Lembro-me de quando cheguei em São Paulo, aos 20 anos, e passei a reparar nas pessoas no metrô e ônibus sempre acompanhadas de livros para passar aquele tempo diário, confesso que sentia certa inveja por nunca ter treinado o hábito de ler em movimento (passo mal até hoje com isso!), momento que reparava, observava pessoas nesse certo transe, nessa viagem que o livro proporciona. Conheci, desta forma, inúmeros autores e títulos que geraram em mim uma grande vontade de ler, isso baseado nas reações que via nos outros.

Quase dez anos depois e volto a morar em sampa. Muita coisa mudou. As expressões e os títulos variados foram trocadas por jogos no celular, conversas em aplicativos ou curtidas em redes sociais. E na maioria das vezes acompanhadas por uma cara mais blasé. Acho triste. Uma nova geração inteira que não consegue se concentrar por mais de 15 minutos. Inúmeros conhecidos que não resistem a tentação de verificar o celular e perdem momentos importantes em filmes, interrompem leituras, não aprofundam, não curtem e não sentem o que, por exemplo, um livro pode fazer com a gente.

Mas neste último mês comecei a buscar mais, a reparar, quase que como uma pesquisa, uma investigação mesmo. Entro no transporte público e procuro... Nem tudo está perdido. Tenho encontrado, cada vez mais, pessoas com o tradicional livro aberto. Concentrados - apesar do movimento carro - e com um leve sorriso no rosto, ou uma inquietação e ansiedade aparente. Algumas vezes vejo até uma lágrima contida.

Ufa, como é bom!!

E continuo não conseguindo ler em movimento, droga!

#Dica 
Fuçando na web achei esse acessório que pode ajudar quem acaba lendo utilizando apenas uma das mãos ;)



domingo, 20 de abril de 2014

Meu "Novo" Primeiro Amor!

Quando perguntam qual meu filme favorito, nunca consigo dizer apenas um, criei uma listinha com alguns que me marcaram por inúmeras razões. Um desses filmes é o clássico dos anos 90 "Meu Primeiro Amor", uma produção que vejo como um filme simples, poético e com o árduo trabalho de abordar a temática da morte para um público jovem. O filme conta com a delicadeza do diretor e dos atores experientes Dan Aykroyd e Jamie Lee Curtis, mas quem rouba a cena é o elenco infantil encabeçado por Macaulay Culkin e a minha paixão de infância Anna Chlumsky. Mas não vim falar desse filme, apenas lembrei dele ao ver a nova produção nacional "Hoje eu quero voltar sozinho".

Assisti quando o curta saiu e, como muita gente, virei fã e segurei minha ansiedade ao saber que viraria um longa. Ontem tive a oportunidade de conferir e saí encantado. Poucas vezes ao terminar um filme presenciei a plateia aplaudir e mais raro ainda ele sendo nacional.

O que me encantou foi justamente a escolha pela simplicidade, a delicadeza e a poesia ao tratar de duas temáticas delicadas e ainda pouco exploradas no Brasil. A vida de um adolescente classe média cego e sua descoberta sexual. Não ignorou os conflitos, respeitou e mostrou de forma natural. Não consigo dizer mais nada além do óbvio e do que já está sendo dito por todos os cantos. Deixo aqui meus Parabéns ao Diretor Daniel Ribeiro e ao elenco incrível que conta com Guilherme Lobo, Fabio Audi e Tess Amorim.
Merece ser visto, revisto e sempre aplaudido.