Até hoje me perguntam se sou mais bailarino ou ator e eu sempre respondo que sempre fui ator, que busquei na dança uma ferramente a mais. Hoje entendi mais profundamente isso.
Sempre fui muito dedicado ao teatro, e com uma postura profissional - mesmo aos 12 anos quando comecei. Na dança aprendi cedo a localizar meus pontos fracos e questões importantes como flexibilidade, estrutura física, idade que comecei técnicas como o balé, por exemplo. E isso fez com que eu não fosse TÃO sério assim. Aprendi a trabalhar meus limites e mais que isso, aprendi a curtir o que estava fazendo. Se eu parar para analisar mantenho mais amigos da dança do que do teatro, me diverti muito, realizei sonhos como viajar e ter uma turma de amigos. Não esperava dançar no Rio de Janeiro e quando apareceu a primeira oportunidade isso fez toda a diferença nos 6 anos em que estive por lá.
Outra diferença é quando falam que teatro é terapia, discordo disso. No teatro focamos em outras vidas e isso nos leva para vários aprendizados e claro que reflexões, mas o foco, muitas vezes, é no resultado, na história que vamos contar. Na dança sinto mais esse lance de terapia, ao menos pra mim. É claro que contamos uma história e isso é importante, mas tem um lance da parte física, de conhecer seu corpo, seus limites físicos e emocionais. Ou às vezes simplesmente não pensar em nada, usar o sentimento do momento.
Tudo isso para dizer que hoje, ao acompanhar um seriado juvenil australiano de dança, eu senti mais a minha perda quando decidi parar. Senti profundamente por me reconhecer em personagens nesta história. Hoje eu sei que tudo que dancei foi, acima de tudo, com o coração.
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